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23/06/2005 15:41
MEMO
Incrível como a normalidade pura e simples me parece mais triste, flácida e cruel a cada dia que passa. Um conjunto cinza de mórbidas práticas em infinita repetição mecânica, um livro normativo pesado e irremediavelmente mofado por tradições velhas como o tempo. Que espaço deixam para a vida, a verdadeira vida, aqueles que se vestem, respiram, impregnam suas mentes e almas apenas com o que é recomendável, adequado e permitido pelas convenções oficiais deste mundo? Nenhum. Assim, pouco ou nada resta senão a sombria tarefa de alimentar o que talvez seja a única ilusão que ainda são capazes de vislumbrar, a certeza canina de que a obediência e o medo que acalentam tão fervorosamente, de alguma forma será capaz de lhes trazer dias melhores, quando então poderão fazer tudo absolutamente igual e rotineiro, talvez até mais do que antes, mas exatamente como previam as leis elaboradas especialmente para a manutenção da servidão voluntária no próximo degrau da normalidade.
E assim segue o circo, entre o pós-riso e o pré-fogo.
enviada por z.h.a.n.g.!
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