30/08/2005 16:44

QUASE LÁ...

Quando já na metade da manhã desta auspiciosa e derradeira terça-feira do mês do cão louco, ano de 2005 de Nosso Senhor, percebo tratar-se este dia do penúltimo da era totem-ZERO.

Pois é, infantes, acabou-se a brincadeira. Ao menos pra mim foi divertida deveras, mas fatalmente é chegada a hora de mudar o rumo, a música, a pauta e o endereço. A reformulação que há muitas luas se fazia necessária, foi estrategicamente substituída por um encerramento técnico isento de despedidas lacrimejantes e agradecimentos automáticos.

Como tudo na boa e velha vida, esta foi uma experiência de equilíbrio entre grandes vantagens e perturbações inegáveis. Glória e infortúnio não necessariamente nessa ordem. Conheci muitos vívaros da mais fina estirpe e também irrecuperáveis maledetos from hell. Mas a grande sacada é que toda essa gente show de bola viverá para sempre no coração zhangueano, enquanto os picaretas se ocupam de voltar para o ralo que é o habitat natural deles.

Logo passarei por aqui pra deixar o endereço da nova base. Enquanto isso, sigo no MONDO REDONDO. Concedam o fino conferes vez em quando, quase sempre vale a pena.

Abrazo a todos!

enviada por z.h.a.n.g.!



29/08/2005 11:51

SEJA PACIENTE

Quero lhe implorar para que seja paciente com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.

As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.

Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.

Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.

Rainer Maria Rilke

enviada por z.h.a.n.g.!



27/08/2005 11:44

SOBRE O FUTEBOL...

As mulheres jamais compreenderão totalmente o fascínio que o futebol exerce sobre os homens.

É basicamente simples. Muito. Para nós é especialmente interessante assisitir vinte e dois caras recebendo salários milionários para fazer exatamente aquilo que nossas mães diziam ser uma atividade absolutamente sem futuro.

Tem mais uma meia dúzia de motivos, mas esses nem fazem grande diferença.

enviada por z.h.a.n.g.!



23/08/2005 16:42

ARTÊ

Os que encontram significações torpes nas coisas belas são corruptos sem sedução, o que é um defeito.

Os que encontram significações belas nas coisas belas são os cultos, para esses há esperança.

Eleitos são aqueles para quem as coisas belas apenas significam beleza.

enviada por z.h.a.n.g.!



15/08/2005 11:50

SHAW WE DANCE?



enviada por z.h.a.n.g.!



11/08/2005 16:46

BIG WAVE

Dizer que a fase é boa, seria notório traço de ingratidão minha para com a existência. A vibe vigente paira grandiosa e se a vida fosse surf, este momento seria o hawaii em plena safra de ondas!

Nessa hora a fina arte de deixar de lado o que não faz diferença, mostra-se especialmente eficaz e oportuna. Mudanças embaralham-se sob a regência da lógica do Grande Magneto, contra a qual relutâncias costumam ser tão eficazes quanto usar lebres como cães de guarda.

O redor muda pouco ou nada, enquanto os referenciais são as chaves das mutações mais geniais. Eis meu caso. Não a genialidade, a mudança! Algo explode e ilumina um canto da (sub)+consciência há muito relegado ao lado negro, não por opção, crença ou preferência, mas em nome da certeza empírica de que nada que é verdadeiramente vivo pode ser construído segundo as vontades instantâneas.

Aos corações selvagens, desejo o que agora sinto: que estejam vivos durante a vida! Somente assim a vibe que dribla o concreto há de encontrá-los, os olhos se acenderão para as belezas que acenam eternamente e as paixões soberanas serão capazes de salvá-los de vocês mesmos.

Por mera coincidência, ou talvez não, recai sobre a presente data o famigerado 'Dia da Pindura'. E como motivos para comemorar, felizmente não faltam, que se cuidem os honoráveis proprietários dos estabelecimentos nos quais por ventura me lance logo mais.

Não digam que eu não avisei, filisteus!

enviada por z.h.a.n.g.!



10/08/2005 11:52

LOUCURA

Nós não podemos falar nada sobre nós e a nossa época, sem começarmos por definir a loucura.

Como é que se explica que nós sejamos seres dotados de razão, enquanto a nossa sociedade é tão ligada à loucura?

Como as pessoas que tem toda a sua razão podem agir como se estivessem loucas e acreditar nas idéias loucas que a sociedade lhe impõe?

Nós podemos encontrar uma resposta com aqueles que perderam a razão.

O que é que os deixou loucos?

As pessoas ficam assim quando não chegam a criar uma relação funcional e prática com a sociedade e com a realidade.

O que eles fazem?

Eles criam uma sociedade que é uma realidade para eles. Eles ficam loucos para não perder a sua razão. A sua loucura é a explicação que eles dão para a loucura que eles encontram no mundo.

Edward Bond

enviada por z.h.a.n.g.!



03/08/2005 08:37

ALGUMAS...

SOBRE A CASA DE TOLERÂNCIA CHAMADA BRASÍLIA

Alguns vivarotes dotados de grande coragem e patológica curiosidade, questionaram-me voluntariosamente sobre por que diabos eu não escrevi palavra sequer sobre a presente putaria brasiliense? Simples, meus queridos! Como este não é mais um canal gastronômico do oceano internético, é mais do que justo que eu me abstenha de falar sobre receitas de pizzas gigantes, bem como sobre novas e bizarras técnicas de dividi-la segundo a fina lógica dos ladrões.

JÁ É TEMPO DE OUTRO TEMPO

Quando a própria idéia de mudar este no mucho respeitável blog já encontra-se velha e cansada, o que dizer a respeito da mudança em si? Verbos alienígenas como postergar, procrastinar, pospor, preterir, talvez possam definir parcialmente a secular empurrada com a pancita que o projeto original vem sofrendo há muito, muito tempo. E se é de atitudes drásticas que momentos como este necessitam, eis aqui uma honesta tentativa.

Este é o último mês do Totem-Zero. O que virá depois, em que endereço funcionará e com qual faccia se apresentará ao respeitável público, não sei dizer. Sobriedade e moderação certamente continuarão fora do novo domínio, afinal, estamos falando de reformulação e não de milagre!

E APENAS PARA QUE SE FAÇA SABER

Os dias apresentam-se em hiatos nesta curiosa semana. A segunda, por alguma razão que prefiro ignorar, mostrou-se amigável e cheia de dengos até. Mas no compensar da obra, a terça veio com braço forte e chicote em punho. Castigou firme a lomba do medíocre. Sobrenatural torcida para que a semana não obedeça lógicas progressivas. For o caso, não por boas recordações, será memorável a segunda metade do trajeto semanal.

Enfim, dizem que a sorte existe.

enviada por z.h.a.n.g.!



01/08/2005 16:57

NÃO NECESSARIAMENTE NESSA ORDEM...

O findisemânico foi mais uma vez regido por aquela espécie de ordem facilmente confundida com caos absoluto. Alguns planos tidos como certos, como ver Sin City, por exemplo, não foram cumpridos. Enquanto certas atividades não previstas, dominaram com facilidade a maior fração do tempo. Como bom apreciador de surpresas, especialmente das que não me conduzem ao hospital, à delegacia ou ao cemitério, é possível afirmar que definitivamente não há sobre o que lamentar, senão pelo fato de que as segundas irremediavelmente chegam, mas isso já é outra história.

Celebrando a organização alternativa da qual sofrem os meus finais de semana, aproveito para falar sobre a visita do intrépido z.h.a.n.g.! ao Anima Mundi, na última semana. Para quem tem considerações mínimas pelo universo da animação, ou simplesmente acha aquilo tudo engraçadinho, o evento já é uma trombada de elefante branco no estômago. O que dizer então do impacto que aquela gigantesca massa de idéias em movimento causa em admiradores confessos dessa fina arte? No melhor sentido da palavra, passei mal!

Não dispus de justo tempo para conferir a mínima parte do que seria absolutamente indispensável, até mesmo porque acho que no meu caso isso levaria uns dois dias. Mas indiscutivelmente a experiência valeu a pena. Por todas as imensas paredes internas do prédio da Fundação Memorial da América Latina, que diga-se é espetacular, eram projetadas simultaneamente algumas das produções que compõem o festival. Uma viagem, literalmente, porque além de não contar com o som nessa hora, você acaba assistindo várias animações ao mesmo tempo. Anormalidade altamente recomendável! Logo, eis aqui plantada a honesta idéia de investir ao menos um dia no justo conferes da edição do próximo ano.

No último domingo, vulgo ontem, encarei com a bravura e o estilo de sempre (sem falar na modéstia, é claro!), mais uma insólita sessão no inigualável Cine Bedrock. Mr. and Mrs. Smith era o cartaz vigente. Considerando algumas de minhas últimas incursões ao universo cinematográfico, como no caso de 'A Guerra dos Mundos', posso dizer que ontem saí do cinema de certa forma feliz.

O filme é uma adaptação pornograficamente cara do seriado homônimo que estampava as telas estadosunidenses lá nos idos da cultuada década de 60. A história é bastante óbvia, dois assassinos profissionais muito fodões bagarái são casados e desconhecem o fato de que ganham a vida do mesmo jeito. Se é de tiros, explosões, perseguições de carro e cenas do tipo 'eu sou demais' em câmera lenta que você gosta, parabéns, este é o seu filme. Mas o ponto interessante definitivamente é este, afinal, essas coisas já cansaram as gônadas mais ou menos duas décadas atrás.

Antes de mais nada, o filme planta na sua cara duas figuras de grande carisma, ao menos nas telas, e de beleza indiscutível. Vão ser bonitos assim na quitanda do Felipe! Impossível dizer que isso não muda nada, porque muda. Beleza é uma linguagem poderosa e por menos que faça, já ameniza muita coisa que seria absolutamente dispensável na trama. Angelina Jolie e Brad Pitt trabalham muito bem interpretando eles mesmos só que usando nomes diferentes. O engraçado é que é justamente disso que o blockbuster precisava. Impossível negar, ficou divertido.

Boas cenas, algumas piadas bem sacadas, uma seqüência do casal saindo na mão que é hilária de tão trash, muitas daquelas peripécias que você já viu um milhão e trinta e duas vezes e o casal de bonitões desfilando seus dotes. Pode-se resumir basicamente assim. Certamente não será o filme da sua vida, mas não se pode jogar fora a chance de conferir a obra.

Pode até ser mais um caça-níqueis hollywoodiano, mas é inegavelmente divertido.

Vale o ingresso... talvez até mais do que isso!

enviada por z.h.a.n.g.!



29/07/2005 11:22

A.C.Q.U.A.!



enviada por z.h.a.n.g.!



27/07/2005 14:49

QUASE COMO É...

e se tudo fosse diferente
não muito
apenas para ver o que já não posso
para poder o que nunca pude
ou se pude, não tenha realmente visto

e se fosse mesmo diferente
haveria então um desejo único
o de ver
ver indefinidamente
que tudo nunca foi igual

nem quando parecia!

enviada por z.h.a.n.g.!



22/07/2005 09:09

LIBELO

De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar – e um barco com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar ?

E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é para ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito...

De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra - um pedaço bem verde de terra e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim – que um jardim é importante – carregado de flor de cheirar?

E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar mistério, que casa sem mistério não valor morar...

De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar - basta olhar - um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de paz e de bar?

E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo?

De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? E enquanto pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino o carrega em sua onda sem rumo ?

Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher - as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo...

Vinícius de Moraes

enviada por z.h.a.n.g.!



21/07/2005 11:42

ASSIM...

A semana desliza em sobrenatural velocidade, enquanto acontecimentos de notória anormalidade apoderam-se dos dias úteis. As atividades na empresa vital apresentam variações interessantes, especialmente quando sou mandado a longínquas terras a fim de negociar variantes do mesmo tema com pessoas diferentes. Isso oferece ao menos breves contatos com outras perspectivas, o que já é alguma coisa.

É claro que a exceção não transforma a relação que muitos chamam de 'trabalho', mas que por razões óbvias prefiro chamar de 'venda de tempo', num prazer de nível considerável. Gostar de trabalhar é para iludidos que ainda não perceberam do que se trata a vida. E feliz ou infelizmente, eu já percebi. Verdade que existem seres de grande sorte que podem se dar ao luxo de encontrar no mundo quem lhes pague para exerçam seus talentos maiores. Mas estes são raros e fatalmente entre eles não estou. Ao menos não até agora.

A grande massa restante se ocupa de vender seu tempo para que seja preenchido com tarefas bobas, repetitivas e sem qualquer compromisso real com a inteligência. E o pior, sem sequer notar tal realidade. A essas fiéis criaturas reserva-se conseqüência também padrão: resumir todas as infinitas possibilidades do seu eu original, à miséria dos afazeres caninos, acreditando servilmente que isso é o máximo, que tem graça e que é possível ser feliz com isso. Quem disse que a fé não remove montanhas, afinal?! Só esqueceram de mencionar que quem carrega as pedras ainda são os mesmos bagre heads de sempre. Mas isso é mero detalhe!

Por ora, me interessam apenas as lacunas. As pequenas ilhas de tempo em que não há compromissos senão com a vida. Os espaços onde ninguém paga por minha loucura, pelo senso que prefiro não ter, pelos protocolos ridículos que vivo quebrando ou pela cara de pau que uso para caminhar com segurança entre os nativos de um mundo obediente.

Enquanto isso, as vitórias me esperam nas esquinas do tempo, mais ansiosas por mim que eu por elas.

Tenho sorte.

enviada por z.h.a.n.g.!



19/07/2005 16:19

ESTAMOS SEM PALAVRAS

Em nome de todas as coisas maiores que quaisquer palavras, não coincidentemente hoje, ao menos aqui nada será dito.

enviada por z.h.a.n.g.!



18/07/2005 10:11

AUSÊNCIA

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

enviada por z.h.a.n.g.!



14/07/2005 15:48

EXEMPLOS COTIDIANOS DE PAZ E AMOR



...ctrl+c ctrl+v style...direto de http://www.malvados.com.br

enviada por z.h.a.n.g.!



13/07/2005 15:30

DEMOROU MAS DEMOROU

Minhas solenes desculpas aos quase três leitores do Totem pela falta de atualização. A terça-feira mostrou-se especialmente feroz e, justamente quando a paz retomou sua freqüência natural, eu já não era mais dono de vontade suficiente para protagonizar tarefas de natureza informática.

Quero crer que o movimento lunar ou alguma outra conjunção celestial de incompreensível lógica, sejam responsáveis pelo momento cinza que se lança sobre esta semana, pelo menos aqui no canto que me cabe. Há menos de dois dias para o prazo final de entrega do post do Mondo, não escrevi palavra sequer, não tenho mínima noção sobre o assunto ou a direção a seguir e sinto-me inspirado como uma capivara morta. Talvez menos. Vai saber se o bicho morto não tem grandes idéias!

A rotina tem me cansado especialmente no último mês, razão pela qual tenho ocupado grande parte da imensidão mental com o amplo e milagroso significado da palavra: férias. É bem provável que não seja a solução mais indicada para os enigmas instantâneos do momento, mas considerando as opções a princípio possíveis, é a mais recomendável para a manutenção da sanidade que ainda creio ter.

E enquanto isso, sigo minha incessante cruzada virtual em busca de materiais absolutamente indispensáveis à vida do ser humano moderno. E eis AQUI uma dessas páginas sem as quais a humanidade certamente não seria capaz de seguir adiante em sua milenar trajetória.

ImPEssionante!!!

enviada por z.h.a.n.g.!



11/07/2005 17:00

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

enviada por z.h.a.n.g.!



08/07/2005 11:33

L.I.B.R.E.!

Em razão de matemáticas trabalhistas que neste momento faço questão nenhuma de entender, consta que devido ao feriadículo de 9 de julho, vulgo amanhã, terei a tarde de hoje livre de horário comercial. Ótima notícia, considerando o dia, o tempo e alguns afazeres institucionais que venho adiando mecanicamente.

Além da compulsória ida até a savana campineira e do encontro da m.á.f.i.a.! marcado para este findisemânico, nada consta na agenda zhangeana. Nada constava, já que Rodris, o insano, acaba de dar coordenadas sobre a complaños’ party de sua estimada girlfriend. Colaborarei como for possível, vivarote. Afinal, não foi para destilar modéstia que nasci sofrendo de talentos. Whatever!

Rolará também amanhã e domingo em solo paulistano, a malandra confraria dos honoráveis membros do Mondo Redondo, dentre os quais, eu! Devido a questões operacionais, não posso dar como certa a minha presença no referido oba-oba, mas também não descarto a possibilidade de uma aparição sobrenatural na seqüência do evento. Veremos, veremos.

Enquanto isso, minha criação de downloads acusa alta produtividade. Com um pouco de sorte e organização, produzirei fina trilha sonora para a finaleira semanal. E a propósito, apenas em nome da constatação científica, endereçarei uma cópia do disco ao autor(a) do melhor comentário... se é que haverá algum.

See ya!

enviada por z.h.a.n.g.!



07/07/2005 14:26

PEQUENO POEMA DIDÁTICO

O tempo é indivisível.

Diz: qual o sentido do calendário?

Tombam as folhas mas fica a árvore, contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível.

Mesmo a que se julga mais dispersa e pertence a um eterno diálogo, a mais inconseqüente conversa.

Todos os poemas são um mesmo poema, todos os porres são o mesmo porre.

Não é de uma vez que se morre... todas as horas são extremas!

Mário Quintana

enviada por z.h.a.n.g.!



06/07/2005 13:26

GOOGLE EARTH

Aos menos avisados e/ou retardatários do universo multidimensional das alegrias internéticas, eis AQUI um divertido brinquedículo vitual.

A versão mais simplória do pequeno programa pode ser downloadeada totalmente di grétis. Ou seja, diversão diferenciada ao preço mais indicado a terceiromundinstas: nada!

Vede lá.

enviada por z.h.a.n.g.!



05/07/2005 21:56

A (MALEDETA) GUERRA DOS MUNDOS

Steven Spielberg e Tom Cruise, nesta exata ordem, são figuras que podem com certa folga ostentar uma considerável lista de acertos ao longo de suas carreiras. O primeiro transita entre as lendas máximas do cinema estadosunidense, enquanto o segundo, embora alardeado ao infinito, é na verdade o que se pode chamar de competente da alta roda.

Spielberg é responsável por momentos únicos do cinema, como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T., A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan e por aí vai. Cruise também merece respeito, por já ter provado ser cuidadoso com os roteiros que escolhe, e o melhor, de tempos pra cá sólido produtor, a exemplo de alguns de seus melhores filmes... Vanilla Sky, O Último Samurai e até mesmo Magnólia.

Mas sejamos sinceros e minimamente realistas, muchachos! O fato de se tratarem os tais respeitáveis senhores de duas das mais notórias figuras hollywoodianas, não os tornam imunes à verdade. Principalmente quando em comunhão produzem um lixo tóxico tão bruto, como é o caso de 'A Guerra dos Mundos'.

Caso você não tenha visto, economize seu dinheiro, seu tempo, sua paciência e duas horas da sua vida. Ignore esta completa mentira do cinema. O filme é um engodo, uma grande propaganda em torno de meia dúzia de cenas digitais de destruição em massa, intercaladas com alguns raros minutos de atuações razoáveis, mas incapazes de sequer esboçar uma salvação mínima. Tom Cruise e Dakota Fanning, aquela menininha sinistra, trabalham bem, mas nada é capaz de reverter uma história que não tem propósito algum. Bem, na verdade até tem, subtrair seus honestos reais.

Seria possível citar algumas cenas que pelo visual ou pela intensidade, até valeriam a pena. Mas é impossível recomendar que você sofra da completa desgraça de conferir o filme inteiro, se é que se pode chamar aquilo de filme, só para assistir a esses raros momentos. Veja o trailer e dê-se por satisfeito!

Conselho de amigo, espere pra ver o filme na sessão da tarde. E se conseguir ver sem ter sono, raiva ou tristeza, pode estar certo de que nesse horário você só está em casa vendo tv, porque está realmente muito doente. Da cabeça, provavelmente!

enviada por z.h.a.n.g.!



04/07/2005 11:28

BATMAN BEGINS

Bons filmes, independente de seu apelo, costumam ocupar um posto muito superior ao de onde transitam os nomes dos envolvidos em sua produção, ainda que o talento dessas pessoas esteja intimanente ligado ao resultado final da obra. Neste caso, talvez por minha gratidão pelo que fizeram os notáveis atores e a competente equipe de produção em nome do primeiro filme não ridículo do Cavaleiro das Trevas, antes do filme, vamos aos nomes.

Dirigido por Christopher Nolan, que segundo consta nunca foi leitor voraz de hq’s, mas que por sorte ou providência divina teve ao seu lado David S. Goyer, que além de roteirista de outro herói das trevas (Blade), é fã confesso das histórias de Batman desde sempre. Tal combinação talvez tenha trazido o equilíbrio necessário para que a película conseguisse o que nenhuma das medíocres tentativas anteriores sequer chegaram perto de alcançar: a excelência!

Além disso, houve notória preocupação em arregimentar talentos para contar a história. Grandes talentos, diga-se. Morgan Freeman (Julius Fox), Liam Neeson (Henry Ducard), Ken Watanabe (Ra’s al Ghul), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Gary Oldman (Tenente Gordon) e o não tão alardeado Chrstian Bale, que mostrou ser a escolha exata não apenas para trazer a realidade que sempre faltou ao Batman das telas, mas principalmente para mostrar um Bruce Wayne autêntico, que ao mesmo tempo é o playboy que compra hotéis para poder nadar no chafariz com suas 'amiguinhas', e o cara perturbado com fantasmas do passado e disposto a quase tudo por uma espécie incomum de vingança. Katie Holmes (Rachel Dawes) entra na história para cumprir o apelo romântico obrigatório, e não decepciona, mesmo ocupando um posto fatalmente desnecessário.

Para os aficionados do personagem, impossível não notar; para os leigos, bom saber. Todo o visual das tomadas, o lado sombrio da saga, que muito provavelmente seja a sombra projetada pelas perturbações na mente do próprio Bruce Wayne, é um retrato muito próximo do que Frank Miller idealizou há tempos nos quadrinhos. Por sorte, algum 'gênio' teve a brilhante idéia de chamar este respeitável senhor para prestar assessoria à produção, o que sem dúvida alguma colaborou finamente para que o filme chegasse ao que é. É verdade que a trama conta com algumas das tradicionais e ridículas pieguices hollywoodianas. Coisas do tipo 'você só cai para que possa se levantar', ou ainda 'aquilo que você faz define quem você é'. Fala sério, uma tristeza!!! Mas esses escorregões passam longe de comprometer o grande acerto geral.

Tanto para fãs do herói, quanto para quem nunca ouviu falar de Gothan City, o filme é altamente recomendável. Além da produção muito cuidadosa, das atuações competentes e de uma história sobre um herói que se dá ao luxo de não ser idiota, o filme retrata cruamente o que definitivamente é dos pontos mais interessantes do personagem, o fato de não ter superpoderes, a não ser sua obstinação patológica por vingança, seu treinamento e sua grana altíssima.

Caso ainda não tenha conferido, vá sem medo! Depois é esperar pra ver se a franquia alçará vôos maiores, a exemplo de X-Men ou até mesmo Spider-Man.

enviada por z.h.a.n.g.!



02/07/2005 13:03

FREE YOUR MIND...

Não creio que a estrutura do crânio seja culpada pela incapacidade do ser humano em compreender o conceito de infinito. Ele seria capaz de entendê-lo, se ainda jovem, enquanto desenvolvesse sua percepção, pudesse se aventurar pelo universo.

Mileva Einstein-Maric

enviada por z.h.a.n.g.!



01/07/2005 09:52

NESTA

A semana alcança a reta final de sua vigência comercial com sobrenatural velocidade, tanta, que nem tive chance de administrar com destreza os pequenos paraísos de tempo livre dispostos ao longo desses dias. Avancei infimamente nas letras do senhor Henry Miller, encontrei menos pessoas queridas do que creio ser o ideal não dispus de um tempo mínimo para o nobre exercício do pensamento.

Na noite terçafeiriana recebi a visita de Rodrigo, o Bortoletto, ocasião na qual promovemos em minha casa um verdadeiro contra-senso musical. Comecei ouvindo um cd demo recém-gravado, cujo artista prefiro não revelar em razão do serial acesso de riso que me causou a referida obra. Caso não seja do conhecimento geral, eu não sou músico, mas confesso alimentar considerável orgulho por naturalmente apreciar música de qualidade. E meus amigos, aquilo soava em meus ouvidos mundanos como uma espécie de tortura que emm primeiro momento parecia ser brincadeira, tamanho o absurdo. Impressionante como alguém que se classifica como músico por excelência, seja capaz de produzir um desastre sonoro daquela magnitude, sem ao menos se dar conta disso.

Mas como graças ao Grande Magneto que organiza os equilíbrios superiores, depois da tempestade ainda vem a bonança. E nessa hora o bom e velho Rodrigo, para os menos avisados, vocalista da LETHAL FEAR , sacou a mais nova produção de sua banda. O primeiro da carreira a ser lançado profissionalmente. Além da notória qualidade musical apresentada por cada integrante da banda, profissionais acima de qualquer suspeita, o novo disco conta com um esmero sonoro incomparável, visto que todo o processo de produção foi realizado com os melhores recursos disponíveis atualmente.

O disco de 13 faixas, doze finíssimas composições próprias e uma cover de Tattooed Millionaire que vou dizer uma coisa, faz com que pessoas de bom juízo jurem que quem canta é o próprio Bruce Dickinson. Nem mesmo o fato de ser eu grande suspeito em elogiar o novo trabalho dos caras, é capaz de tirar de meu comentário a verdade maior: o disco Unleashed é o resultado primoroso do raro encontro entre talento e dedicação. Mesmo pra quem não sofre de amores pelo heavy metal, é altamente recomendável conferir.

E enquanto o lançamento oficial da obra não ganha o mundo, dêem uma rápida passada no MONDO REDONDO , onde hoje faço minha reestréia como membro colaborador daquela respeitável comunidade literária.

Hasta...

enviada por z.h.a.n.g.!



29/06/2005 13:29

A SUBLIME GENIALIDADE DA MODA...



...deveras sublime, diga-se!

enviada por z.h.a.n.g.!



27/06/2005 21:20

NÃO SEJA O MESMO...

Você sabe tão bem quanto eu,
que uma das principais causas do tédio
é a estreiteza do nosso destino.

Todas as manhãs, despertamos iguais ao que éramos na véspera.
Ser eternamente o mesmo é insuportável para os espíritos
refinados pela reflexão.

Sair do próprio eu é um dos sonhos mais inteligentes que um ser humano pode ter.

Julian Green

enviada por z.h.a.n.g.!



24/06/2005 09:45

LIBERDADE

Entre tantos que te trazem na boca sem te sentirem no coração, eu posso dar testemunho da tua identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho, porque no fundo da minha consciência eu te vejo como estrela no fundo do obscuro espaço.

Nunca te desconheci, nem te trairei jamais, porque a natureza impregnou dos teus elementos a substância do meu ser.

Rui Barbosa

enviada por z.h.a.n.g.!



23/06/2005 15:41

MEMO

Incrível como a normalidade pura e simples me parece mais triste, flácida e cruel a cada dia que passa. Um conjunto cinza de mórbidas práticas em infinita repetição mecânica, um livro normativo pesado e irremediavelmente mofado por tradições velhas como o tempo. Que espaço deixam para a vida, a verdadeira vida, aqueles que se vestem, respiram, impregnam suas mentes e almas apenas com o que é recomendável, adequado e permitido pelas convenções oficiais deste mundo? Nenhum. Assim, pouco ou nada resta senão a sombria tarefa de alimentar o que talvez seja a única ilusão que ainda são capazes de vislumbrar, a certeza canina de que a obediência e o medo que acalentam tão fervorosamente, de alguma forma será capaz de lhes trazer dias melhores, quando então poderão fazer tudo absolutamente igual e rotineiro, talvez até mais do que antes, mas exatamente como previam as leis elaboradas especialmente para a manutenção da servidão voluntária no próximo degrau da normalidade.

E assim segue o circo, entre o pós-riso e o pré-fogo.

enviada por z.h.a.n.g.!



22/06/2005 11:55

I.C.E.!

O inverno instala-se oficialmente sob as saias do equador, e eu como descendente de algum clã oriundo de terras geladas, gosto. Uma espécie de ânimo incomum me põe em ação além do normal nesses tempos de ralas temperaturas, enquanto a maior parte dos viventes de considerável juízo prefere o claustro no reino das cobertas.

Talvez por mera coincidência, pura sorte ou por alguma outra razão sobrenatural que ainda colabora para que certas coisas sejam como devem ser, faz frio. Não com neve, gelo e demais componentes glaciais, mas já não temos sobre a lomba aquele sol emprestado de algum deserto impiedoso, o que já é excelente começo. Não tenho veias de dromedário, afinal.

E para dar as boas vindas à gélida temporada, a lua cheia invade o calendário, emprestando luz ao céu das noites mais interessantes e, para os de menor coragem, mais restritas do ano.

Aproveitem, crianças... dura pouco e vale a pena!

enviada por z.h.a.n.g.!






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